salvo raras exceções, eu sou uma pessoa facilmente encantada. basta me falar que também gosta de cachorros, belle and sebastian ou de fazer listas/desenhos sobre qualquer coisa, e pronto, já vou te amar (pelo menos até que você me confidencie que gosta de britney spears ou que friends é ainda a melhor série de televisão já criada pelo homem).
mas se tem algo que realmente me faz te amar - nesse caso, especificamente, personagens de livros -, é você ser um pouquinho paranóico, um tanto neurótico, excessivamente preocupado com o que as pessoas (que não estão nem aí) pensam sobre aquilo que você disse duas semanas atrás. basta você, amigo literário, ter alguma mania inútil, um pé no pessimismo e outro na incredulidade quase absoluta em você mesmo.
tenho alguns exemplos - e culpados - que me fizeram preferir esse gênero de gente a qualquer outro no mundo: tudo começou, acho eu, na adolescência. me desculpe, eu não lia sartre aos quinze anos, mas meg cabot. bastaram duas páginas e eu já me via em mia thermopolis. daí pra bridget jones foi um pulo, passando por holden caulfield algumas vezes na vida e depois reconhecendo bridget (e eu mesma) em rob fleming - só que sem o conhecimento musical. entre esses anos, arthur dent e o andróide marvin também entraram na lista e no meu coração. o mais recente foi oliver tate, de submarino, cujas manias são ler dicionários e fingir-se de louco para manipular situações (gostaria de conseguir fazer isso).
não que neuroses sejam coisas que todas as pessoas devam sentir orgulho, mas imagino que existe muita gente no mundo como esses personagens mas que não expõem esses traços de personalidade por alguma preocupação social. talvez eu esteja agindo errado ao vangloriar tais peculiaridades, mas olha, é tão mais cool não ser tão cool.

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